Morre aos 93 anos Osvaldo Bezerra, o “Rei do Brega”

A música brasileira perdeu um de seus operários mais autênticos com a morte de Osvaldo Feitosa Bezerra, conhecido como “Rei do Brega”, aos 93 anos, em Brumado. O artista enfrentava problemas de saúde delicados nas últimas semanas.

Vida e carreira

Nascido em 1933, Bezerra teve uma vida marcada pela itinerância e pela paixão pela canção popular. Entre 1950 e 1962, serviu à Marinha no Rio de Janeiro, convivendo com nomes históricos como Ary Barroso e Ângela Maria, e acompanhando os tempos áureos da Rádio Tupi.

Após o período militar e a perda da esposa, Osvaldo buscou refúgio e arte em Belém do Pará, tornando-se figura lendária nos redutos boêmios, como o Bar São Jorge, consolidando o título de “Rei do Brega”. Entre seus maiores êxitos estão “Cachaça Amiga”, “Cidadão no Brega” e “Coração Indeciso”.

Passagem por Itamaraju e Bahia

O cantor também chegou a morar em Itamaraju, no interior da Bahia, por quase uma década, período em que construiu forte ligação com a cidade e seu público. Ele realizava apresentações frequentes em bares, eventos locais e festividades da região, chegando a conquistar um fã-clube de moradores devido à simpatia e proximidade com o público.

Após Itamaraju, Osvaldo passou a residir em outras cidades baianas, como Livramento de Nossa Senhora, onde viveu seus últimos anos, mantendo presença constante em eventos e praças da região.

Filosofia musical

Osvaldo defendia o “brega raiz” como expressão de sentimentos verdadeiros e românticos. Criticava variações modernas do gênero, como o arrocha, por considerá-las superficiais e apelativas. Para ele, a música deveria ser dançada “coladinho”, servindo de consolo para desilusões amorosas, consumidas entre copos de cerveja ou doses de cachaça.

O artista também reivindicava reconhecimento histórico, afirmando ter contribuído para a autoria de clássicos como “Dama de Vermelho”, eternizada por Waldick Soriano, e atuou como padrinho artístico de nomes como Aldo Sena e Chimbinha, do Calipso.

Últimos anos e legado

Mesmo vivendo de forma pacata, enfrentando dificuldades financeiras e deficiência visual, Bezerra ainda buscava palcos para apresentar suas “utopias românticas”, mantendo o brilho de um ídolo popular. O falecimento em Brumado encerra um capítulo da história da seresta e do bregão nordestino, mas seu legado permanece vivo. Ele deixa seis netos e uma legião de fãs que viram em sua voz a tradução de dores e amores vividos ao som do brega.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *