Com as eleições presidenciais de 2026 já em curso, líderes e estrategistas do campo conservador brasileiro começaram a discutir uma estratégia inspirada no modelo que garantiu a vitória da direita no Chile em 2025: a chamada “fórmula chilena”. Trata-se de um esforço para transformar a fragmentação de candidaturas da direita num ativo político capaz de consolidar apoio num eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje candidato à reeleição.
Fragmentação no primeiro turno
Enquanto a esquerda mantém, até agora, uma candidatura única e sólida, o espectro de centro-direita e direita pelo Brasil vive um cenário de múltiplas pré-candidaturas com distintos perfis políticos. Entre nomes colocados como possíveis concorrentes estão:
- Flávio Bolsonaro (PL) — indicado por Jair Bolsonaro;
- Romeu Zema (Novo);
- Ronaldo Caiado (PSD);
- Ratinho Jr. (PSD);
- Eduardo Leite (PSD);
- Renan Santos (Missão).
A diversidade de perfis reflete a dificuldade de construir um nome único, mas, ao mesmo tempo, alimenta a ideia de que o primeiro turno funcionaria como uma espécie de “primária” informal para escolher o candidato que, no segundo turno, receberia a soma dos votos conservadores e liberais.
A inspiração chilena
A expressão “fórmula chilena” vem da eleição de 2025 no Chile, quando três candidatos de direita e centro-direita competiram no primeiro turno contra a esquerda. Depois que dois deles foram eliminados, os votos convergiram — e o candidato de direita venceu no segundo turno.
No Brasil, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro têm sinalizado que a existência de múltiplos nomes não é um problema, mas sim uma forma de ampliar o leque de escolhas para o eleitorado e fortalecer, assim, o nome que surgir como principal representante do campo no segundo turno.
Opiniões de especialistas
Analistas políticos, porém, apontam cenários distintos diante desse debate:
- Estratégia seletiva: Para alguns, a fragmentação pode funcionar como uma pré-seleção natural, na qual o eleitor de direita escolherá o nome mais competitivo para enfrentar a esquerda — uma tática semelhante ao que ocorreu no Chile.
- Polarização brasileira: Outros especialistas ressaltam que o Brasil está mais polarizado, com a esquerda e o bolsonarismo dominando seus respectivos campos ideológicos. Nesse contexto, a chamada terceira via teria pouca chance de crescer — e a fragmentação poderia não ser a vantagem estratégica que se espera.
Segundo essa linha de análise, a eleição pode terminar com um segundo turno clássico entre Lula e um candidato fortemente associado ao bolsonarismo, independentemente do desempenho dos demais nomes.
A chave para 2026
A tese da “fórmula chilena” revela um debate central da política brasileira para 2026: como conciliar diversidade de candidaturas com a necessidade de formar uma frente ampla capaz de competir em bases sólidas no segundo turno.
Independentemente da estratégia definitiva, uma coisa é certa: a corrida presidencial brasileira promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos, com ramificações estratégicas que transcendem o cenário nacional e ecoam nas tendências políticas da América Latina.

