MÃE DE SANTO DENUNCIA PASTOR POR DESTRUIR ASSENTAMENTO DE EXU EM TERREIRO NA BAHIA

Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico por supostamente destruir, por duas vezes, um assentamento de Exu localizado na entrada de um terreiro de Candomblé no distrito de Acupe, em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. Os episódios aconteceram durante o mês de agosto e são investigados pelas autoridades.

O terreiro Ilê Axé Tonan Onirê funciona no local desde 1998. De acordo com Mãe Deca, responsável pela casa religiosa, esse teria sido o primeiro ataque registrado contra o terreiro em quase 30 anos.

Segundo o relato apresentado à polícia, o primeiro episódio aconteceu no dia 4 de agosto. Testemunhas afirmaram que o suspeito teria ido até o local e destruído o assentamento de Exu, que estava instalado em frente ao templo havia cerca de três anos. Durante o ataque, a cabeça da representação teria sido arrancada.

Nas religiões de matriz africana, o assentamento possui significado sagrado e está relacionado à representação e ao culto de uma divindade. Exu ocupa papel importante nessas tradições, sendo associado à comunicação, à mediação e à abertura dos caminhos.

NOVO ASSENTAMENTO TERIA SIDO DESTRUÍDO

Após o primeiro ataque, Mãe Deca teria reconstruído o assentamento. Conforme o relato da sacerdotisa, posteriormente ela procurou o homem apontado como responsável pela destruição.

Ainda segundo a denúncia, durante o encontro o suspeito teria afirmado que voltaria a quebrar a representação religiosa e teria feito ameaças contra a mãe de santo caso ela tentasse impedir a ação.

Pessoas que estavam no local precisaram intervir para evitar que a discussão terminasse em agressões físicas.

No dia 30 de agosto, o assentamento foi novamente vandalizado. Dessa vez, segundo a denúncia, a representação de Exu teria sido completamente destruída.

Mãe Deca afirmou que, durante um dos episódios, o pastor teria justificado a ação dizendo que “Deus mandou”.

CASO FOI LEVADO À POLÍCIA

Com orientação da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), o caso foi registrado na Delegacia de Santo Amaro. Também foi solicitada uma medida protetiva para garantir a segurança da sacerdotisa e dos frequentadores do terreiro.

De acordo com a Polícia Civil, o inquérito policial foi encaminhado à Justiça no sábado (12). Até esta terça-feira (15), não havia registro de prisão relacionada ao caso.

A denúncia também chama atenção para a ocorrência de episódios de intolerância e racismo religioso contra comunidades de religiões de matriz africana.

Para Mãe Deca, a responsabilização pelo caso é importante não apenas para proteger o terreiro, mas também para evitar que situações semelhantes aconteçam em outras casas religiosas.

“Assim como foi aqui, poderia ter sido em outro terreiro. Isso não pode acontecer”, afirmou.

O caso segue sob investigação e eventuais responsabilidades deverão ser definidas pelas autoridades competentes.

FONTE: G1 BAHIA

POR: PAULO VITOR / REDAÇÃO

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